domingo, 6 de novembro de 2016

Seu João, nosso torcedor símbolo.

 Carteirinha de sócio proprietário da Tuna Luso Brasileira, do seu João. 
Dizem que o torcedor brasileiro é por demais apaixonado pelo futebol, mas que costuma esquecer muito rapidamente seus ídolos. Para provar que essa afirmação não é uma regra geral, homenagearemos hoje um torcedor muito especial para quem acompanha a história esportiva da Tuna Luso Brasileira. Trata-se do Sr. João Ferreira dos Santos, carinhosamente conhecido como "SEU JOÃO".


 Seu João sentado na arquibancada do Estádio do Souza, em um de seus incontáveis jogos torcendo pela sua Tuna.

Seu João é solteiro, paraense, nascido em Belém do Pará, no dia 10 de agosto de 1935. Filho de Inocêncio Pereira dos Santos e Maria dos Anjos Santos Ferreira. Contabilista aposentado, boa praça, mas muito autentico! Foi funcionário da extinta panificadora Palmeira. É sócio do clube e considerado o torcedor símbolo da Tuna.
Sua paixão pela Tuna Luso não tem data para acabar, mas começou aos 16 anos, em 1951, por influência de seu irmão, também tunante, Nesta época, passou a frequentar os estádios de futebol continuamente. Sua trajetória de torcedor tunante acelerou em 1952, quando a Cruz de Malta paraense foi vice-campeã no torneio dos Campeões Norte e Nordeste. Desde então até os dias de hoje, seu João afirma que assistiu quase que todos os jogos da Tuna Luso Brasileira realizados em Belém e, apesar de sua avançada idade, dá exemplo e faz questão de pagar seu ingresso.
O primeiro título veio logo em 1951, com uma vitória de 3 x 1 sobre o Clube do Remo. Seu João lembra de todos os detalhes daquele jogo, inclusive os nomes dos jogadores: Dodo, Macaco e Bereco, Rubens, José Maria e Biroba, Juvenil, Gina, Abmael, Teixeirinha e Daniel; técnico Miguel Cecim.
Perguntado de quantos títulos viu a Tuna conquistar, seu João diz que perdeu as contas, mas que o mais importante para ele foi a conquista da taça de prata, série B do Campeonato Brasileiro de 1985.

Seu João (C), ao lado de torcedores tunantes, no jogo de abertura da segundinha do Paraense de Futebol 2016, em 23/10/16, no Souza. Foto divulgação.

Costuma lembrar de alguns acontecimentos e falar frases marcantes, que retratam bem o seu amor pela Tuna:

"A diferença entre um drogado e um torcedor da Tuna é que o drogado até tem uma chance de se curar enquanto que o torcedor da Tuna vai morrer tunante"
"Acima da Tuna, pra mim, só Deus".

Quando perguntado se lembrava de algum acontecimento importante dos tempos de arquibancada, seu João lembrou do jogo amistoso entre a seleção paraense (base composta por jogadores da Tuna) e a seleção amazonense, ocasião que caiu a torre de iluminação do Souza e as rádios anunciaram que ele estava entre os mortos.
Seu João diz que é apenas um torcedor apaixonado pela Tuna e nunca assumiu nenhum cargo no clube. Uma vez incluíram seu nome em uma eleição de Torcedor Símbolo, mas quem ganhou na época foi a D. Flora, mas quem ficou para a história foi o seu João mesmo!
Mesmo festejando muito as diversas conquistas da Tuna ao longo de décadas seguidas, na opinião de seu João, foi em 1985 que a Tuna conquistou a sua maior Glória, ou seja, a Taça de Prata da série B no Campeonato Brasileiro.
A Tuna sempre foi considerada e conhecida como um celeiro de craques, mas há alguns anos essa condição deixou de ser real. O motivo principal dessa baixa e levou a Tuna a deixar de formar bons atletas nos diversos esportes que disputava, segundo seu João, foram as administrações equivocadas, que por não serem compostas por tunantes de raíz, acabaram com o incentivo ao esporte amador, incluindo as escolinhas de futebol do clube, que era em seus bons tempos a maior fábrica de craques da região norte, de onde saíram ou passaram Sarará, China, Chininha, Acapú, Leonidas, Manoel Maria, Omar, Marinho, Darinta, Tela, Odilson, Reginaldo, Edson Cimento, Bosco, Dema, Belterra, Giovani, Gauchinho, Arinelson, Nonato, Welber, Sandro, Paulo Henrique Ganso, etc...
Perguntado se a Tuna ainda poderia ser considerada "A RAINHA DO MAR" e "A ELITE DO NORTE", seu João afirma que agora não, pois nem regata temos mais.
Ao ser perguntado o que a Tuna Luso precisaria fazer para resgatar suas tradições, voltar a formar grandes atletas e conquistar novos títulos, além de trazer de volta aos estádios seus fieis torcedores, seu João foi categórico ao afirmar que é necessário eleger uma diretoria composta por tunantes.
Seu João (E) ao lado do sobrinho, José Rezende. Foto divulgação.

Seu João diz que não tem ido ao clube ultimamente e não poderia apontar quais as principais carências que o clube apresenta hoje em suas diversas áreas de atuação, principalmente nas áreas social e esportiva.
Sua maior Glória, como torcedor da Tuna, foi quando a o futebol de salão cruzmaltino sagrou-se hexacampeã paraense, no final dos anos 70, ocasião em que foram busca-lo na arquibancada para levantar a taça.


Em sua opinião, a maior decepção que viu acontecer no clube foi a saída da direção composta pela colônia portuguesa, que migrou para o Grêmio Literário.

Com boa memória e muito consciente, seu João exalta alguns nomes de atletas e dirigentes cruzmaltinos ilustres que, em sua opinião, contribuíram para o engrandecimento do clube. O melhor jogador do século, para seu João, foi China, enquanto que entre dirigentes, torcedores e incentivadores, cita Edgar Mattar, Augusto Viana, Alberto Sozinho, Walter Abel, Manoel Henriques e Manoel Chipeilo, salvo alguns outros que não lembrou no momento.
Já há alguns anos afastado dos estádios devido ao péssimo momento que passa o departamento de futebol profissional da Tuna, seu João diz que o atual plantel cruzmaltino tem bons jogadores, mas precisa de um técnico com mais experiência. Diz que não está muito confiante no time que disputa a segundinha 2016, mas gostaria de deixar uma mensagem aos leitores do blog e torcedores da Tuna: “a nossa torcida deve se manter fiel e voltar ao estádio. A torcida não deve abandonar a Tuna”.
E assim seu João, nosso o torcedor símbolo da Tuna, finaliza suas considerações sobre o amor que sente pela Tuna Luso Brasileira, seu clube do coração.

Colaboração: Ana Paula Rezende

2 comentários:

  1. Realmente ele tem razão em certas coisas que diz. É um tunante fiel e dedicado. Mesmo com a idade que tem ainda vai a jogos da Tuna. Pena que hoje em dia há poucos investimentos nos esportes no clube, é só ver a realidade. Quantos títulos a Tuna tem ganho de uns tempos para cá nos esportes? Os últimos que vi foram a conquista do campeonato de Remo em 2009 e mais os títulos do futebol feminino até 2014. Tuna nestas últimas gestões não tem ganho campeonatos em qualquer esporte e em nenhuma categoria. O que se vê mais são notícias de futebol pelada de sócios, campeonato de empinadores de papagaio e algumas atividades da área de lazer. A boa notícia que nós tunantes tivemos foi a reforma do ginásio. Mas e os esportes de quadra? Quando voltarão a conquistar títulos? Quando leio notícias esportivas na Internet reparo que há conquistas de Remo e Paysandu. Não vejo mais notícias que falam de conquistas da Tuna e ainda me entristeço quando vejo o desinteresse da atual gestão pelas regatas.
    E agora a Tuna penando para suplantar agremiações de menor história e com uma estrutura pequena como Pinheirense, Vila Rica e Sport Club Belém estarem com melhor pontuação que a Tuna na chave dela, de novo deixando-a numa situação de agonia na segunda divisão de um campeonato paraense, com riscos sérios de ter de amargar novamente a permanência na "Segundinha" até ter outra vez uma chance de tentar passar para a primeira divisão em 2017. Estou na torcida para que a Tuna conseguir passar para a primeira divisão ainda este ano, mesmo sabendo que a realidade está muito difícil. E se não conseguir, que a torcida tunante cobre mais empenho da atual gestão, que ao meu ver, por motivos morais deveria até renunciar e antecipar a eleição, porque não classificar de novo para a primeira divisão do paraense seria mais uma vez uma vergonha para um clube com as tradições da Tuna.
    Sinceramente não creio que numa situação assim, de desclassificação, houvesse renúncia, porque o orgulho e a vaidade possivelmente seriam maiores. Mas defendo que os sócios numa próxima eleição, no caso de uma desclassificação tunante, percebam que é hora de mudar e voltar em uma outra alternativa.
    Vou, no entanto, procurar não pensar no pior e enquanto houver chance, vou manter acesa a chama da esperança de que a Tuna se classificará. Pois afinal sou tunante e desejo que o clube volte ao patamar de onde não deveria ter saído. Não tenho razões pessoais contra quem quer que seja no clube, só quero o que for melhor para a Tuna.
    Márcio Rodrigues

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  2. Tuna sempre!!!!!!!!!!!!! Vamos Tuna!!!!!!!!!!!! Viva a Águia Guerreira!!!! Tunaaaaaaaaaaaaaaaa!!!!!!!!!!!!
    Márcio

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