sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Nossa missão na Garagem Náutica


Fachada pintada da Garagem Náutica
Neste 31 de Dezembro termina nosso mandato como Diretor Náutico da Tuna  Luso Brasileira, função que desempenhamos ao longo de 22 meses, juntamente com os companheiros Gerardo Monteiro e Mário Mangas.


Quadro da Tuna com atletas de 1919 que recuperamos

A princípio quero agradecer ao Gerardo e ao Mário pela coragem de entrar comigo nesta briga de recuperar a Garagem Náutica, que vinha de um período dos mais tristes, com o prédio completamente abandonado, a rampa caída, banheiros sucateados, necessitando de pintura interna e da fachada (externa); quase sem atletas e com uma modesta participação nas regatas dos anos anteriores e tendo, durante todo o campeonato de 2013, ganho apenas dois pontos, o que para os cruzmaltinos e para os amantes do belo esporte náutico foi uma tristeza, misturada com vergonha.

Ao assumirmos sentamos e planejamos o que iríamos fazer primeiro,  já que além do que era necessário mensalmente para manutenção da garagem, como café da manhã dos atletas, transporte,

dinheiro para consertos de barcos (uma grande carência da Tuna), tínhamos que resolver a situação das dívidas com a FEPAR, ligação de água e luz (cortadas), e uma verba  mensal para pagamento de inscrição e transferência de atletas,  pagamento da anuidades atrasadas da FEPAR, já que não poderíamos fazer inscrição de atletas nem de barcos enquanto não resolvêssemos pagar o atrasado.

Com o apoio dos amigos da Confraria, GBs, Beneméritos, associados, torcedores e amigos entramos em campo. Criamos um Carnê que no princípio rendeu mais de mil reais mensais. Conseguimos reaver com a Mirela a colaboração mensal com biscoitos, massa para sopas e bolachas. Com a panificadora Pão Dourado conseguimos 30 pães diários. Com os amigos da Confraria Levi Alves e nosso diretor Mário Mangas conseguimos uma Cafeteira grande, uma Máquina de jato dágua e mais uma televisão de 29 polegadas, acompanhada de controle e antena.

O associado e ex-diretor Jaime Eiras, mesmo morando em outro estado,  nos mandou durante um grande período uma quantia mensal que ajudava no café da manhã, que ficou adubado com leite, pão, manteiga e bolachas.

O carnê deu certo até um período. Mas não sobrava para as inscrições de atletas nem pagamento do atrasado nem da anuidade atual da FEPAR, em torno de 5 mil reais por ano. Também não dava para fazer nada de melhoria na Sede, como pintura, reforço na rampa, etc.

Decidimos, ainda no ano passado,  fazer um fluxo de caixa com uma feijoada, o que no primeiro ano nos rendeu em torno de mais de 6 mil reais de lucro. Pagamos tudo que tínhamos que pagar e ainda compramos um barco do sr. José Augusto Morgado, um 2 X reversível, por 5.000,00 (cinco mil reais).

Também iniciamos a reforma geral dos dois banheiros, masculino e feminino, com piso, pinturas, vasos, pias, mictório e seis chuveiros, tudo novo, quase todo material fruto de doações de amigos. Pagamos praticamente só a mão de obra, além do material para a pintura. Modestamente, as reformas e os dois banheiros ficaram excelentes.

Nossos diretores Gerardo e Mário fizeram a proposta e resolvemos ampliar os trabalhos, fazendo também uma nova instalação hidráulica, pintura e colocação de azulejos em toda a Copa. Ficou muito bonita. Na oportunidade, recuperamos um quadro de antigos remadores de 1919, que estava abandonado na Sede Social. A recuperação ficou linda e para todos os cruzmaltinos foi uma grande honra rever o quadro na parede.

Pintamos toda a frente da Sede, uma vez que a pintura velha, com mais de cinco anos, estava desbotada e sem vida. Usamos as cores tradicionais da nossa Tuna: o Verde e o Branco, com frisos vermelhos.  Colocamos uma grande bandeira que está lá a tremular no mastro lá em cima, doada pelos amigos Zé Maria, Salatiel, Avelino e  Cauby.

Empolgados com as obras, embora já sem dinheiros, resolvemos fazer uma decoração na entrada da Garagem. Pintamos e colocamos um antigo barco como se fora um grande abajur decorativo. Fizemos uma inauguração com a presença de vários tunantes, colaboradores e a diretoria do Clube.

Essas obras foram feitas graças o dinheiro que conseguimos com a realização de uma Rifa de um televisor que nos foi repassado ao preço de custo pelo diretor Mário Mangas. Junto a isso, conseguimos pagar tudo com as arrecadações mensal dos Carnês e com a Feijoada de 2015, que nos deu um lucro de R$ 6.050,00 (seis mil e cinquenta reais).

Nossa performance nas águas da Baía do Guajará nos dois anos não foi excelente, mas  também não foi das piores. Disputamos todas as cinco regatas de 2014, e as quatro de 2015. Participamos da Copa Norte e Nordeste que foi realizada em Belém e ajudamos no título de Campeão do Pará. Não podíamos competir financeiramente com Remo e Paysandu que trouxeram em todas as provas atletas de fora -até da Argentina!-  por valores altíssimos e pagando salários homéricos aos atletas regionais. Ou seja, ninguém quer remais mais sem ganhar. Pra Tuna isso não dá. Nós, até as passagens que dávamos aos nossos atletas era dinheiro suado.

Galera torcendo. À frente o amigo Carlito
Foram dois anos de muita luta, mas o resultado está sendo satisfatório. Pegamos a sede Náutica a ponto de fechar, o que não aconteceu por causa do empenho do diretor técnico José Wildemar, o Lindão, que a duras penas foi mantendo. No período em que dirigimos organizamos a infraestrutura do prédio da melhor maneira possível, para dar uma melhor condição aos atletas, sem custo para a Tuna, que em quase dois anos, nos repassou apenas a quantia de 2 mil reais. Para que todos tenham uma idéia, só com passagens se fôssemos pagar de todos os atletas, seria em torno de 600 reais mensais, mais despesas com café da manhã e o restante da manutenção, dá em torno de quase 2 mil reais. Tivemos que conseguir o resto das despesas com muito trabalho deste escriba, Gerardo Monteiro, Mário Mangas e o apoio inconteste dos abnegados.

Saímos de cabeça erguida, já entregamos nossa prestação de contas dos três semestres (até Junho/2015) e este semestre vamos concluir para entregar já em Janeiro para a diretoria que entra.

Nova geração de remadores da Tuna
Estamos somente aguardando documentação de quitação da FEPAR para fecharmos com chave de ouro. Semana passada recebemos do remador José Morgado a quitação do barco que compramos para a Tuna e nos despedimos certos do dever cumprido. Na oportunidade, agradecemos ao presidente Charles Tuma pela confiança.
Queremos deixar claro que continuamos cada vez mais cruzmaltinos, e que continuaremos lá torcendo pela Tuna nas regatas desse ano que se inicia.






Era isso que queríamos mostrar aos nossos amigos cruzmaltinos e a todos os colaboradores que nos ajudaram durante nosso mandato. Se faltou alguma coisa, depois a gente mostra, mas penso que o principal foi colocado.

Muito obrigado.
Fonte: Didascália

9 comentários:

  1. Muito triste a realidade esportiva da Tuna. Espero, sinceramente, que ao menos no futebol ela possa voltar à divisão principal em 2016 e em 2017 possa formar uma equipe em condições de fazer um bom campeonato na divisão principal. Se a Tuna não conseguir passar para a primeira divisão vou começar a fazer uma campanha para que a atual gestão se conscientize de que não tem condições de dirigir um clube como a Tuna. Vou pedir a ela que renuncie e abra caminho para uma eleição antecipada. Vai me atender? Duvido muito. Mas vou fazer isso. E se não renunciar, vou começar a fazer campanha antecipada para que se forme uma chapa em 2017 que seja de pessoas que tirem a Tuna desta situação de fraqueza nos esportes.
    Vou esperar. Não gosto de ser injusto e nem desejo o fracasso da atual administração tunante. O que eu mais quero é o bem da Tuna. E é por querer bem à Tuna que, caso não haja sucesso em fazê-la retornar para a primeira divisão, que eu me posicionarei para que a atual gestão renuncie. Chega de ver a Tuna passar vergonha! Não é algo pessoal contra quem quer que seja na Tuna, mas não aceito ver meu clube ficar passando ano após anos por humilhações.
    Márcio

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  2. Fico vendo essas fotos antigas com a torcida da Tuna e fico com saudade. Saudade também de vibrar com conquistas tunantes. Gols, regatas vencidas, eram motivo de satisfação para os tunantes. Quando será que poderei de novo me alegrar como vitórias da Tuna nos esportes? Ouvi dizer que vão insistir com o basquete. Será algo pra valer ou só para dizer que a Tuna está no campeonato? Alguma pretensão maior ou só para dizer que está na competição? Ou seja, só aparências? Quando a Tuna voltará a conquistar um título esportivo novamente?
    Márcio

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  3. com as vitórias...

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  4. Tuna há de novamente triunfar

    Ah! Tuna!
    A lua desponta no céu de abril.
    Quem te viu
    Como eu te vi
    Tem saudade de um tempo e glórias!
    Saudade das vitórias
    De uma grandeza orgulhosa!
    Nefasta época esta agora
    O mais ardoroso torcedor às vezes chora
    Ao lembrar de outrora
    Quando conquistavas campeonatos.
    Lembro daquela hora
    Em que o artilheiro fez o gol decisivo.
    Quando penso nisso
    Desejo voltar no tempo
    Para ver de novo a torcida toda contente.
    Infelizmente
    Tuna não anda bem
    A torcida tunante sente
    Que é necessário lutar
    Nossa Tuna há
    De novamente triunfar!
    Márcio Rodrigues-28/04/2016




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  5. É preciso resgatar os esportes da Tuna. Infelizmente, a Tuna não é mais respeitada como um clube vencedor. Alguns torcedores de outros clubes se referem a ela como um museu, um clube esportivo do passado. Faz-se necessário um plano de recuperação do clube, buscar meios de financiamento, parcerias, patrocínios, conseguir mais sócios.
    Ás vezes converso com filhos ou netos de portugueses e percebo que muitos não tem a mínima ligação emocional com a Tuna. Um empresário português com quem falei ano passado ao lhe perguntar se podia ajudar a Tuna o mesmo me disse: "Tuna? Ainda existe?" Soube de outros empresários portugueses que são torcedores de Remo ou Paysandu. Tenho primos, netos de portugueses que são remistas. E o pai deles que é filho de pai português sempre foi torcedor do Remo.
    Claro que há portugueses e descendentes que são torcedores da Tuna. Mas creio que são cada vez mais em menor número. Assim, há os que não são descendentes diretos que são tunantes, talvez a maioria dos torcedores da Tuna atualmente.
    Minha opinião é que se dentro dos próximos 3 anos a Tuna continuando nesta situação verá desaparecer em pouco tempo os seus esportes tradicionais e ficará sendo só um clube de lazer, no estilo do Pará Clube. Tendo apenas recordações de antigas glórias esportivas.
    Sinto tristeza por ver cada vez mais remistas e bicolores desdenharem da Tuna e a colocarem num plano muito inferior, apenas querendo que ela forme atletas para que Remo e Paysandu tirem proveito. Tuna está se tornando um clube estilo do América do Rio e ficando na situação da Portuguesa de São Paulo, que tem um linda história, porém com seus esportes sem destaque. Márcio

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  6. Não lembro de ter vivenciado como torcedor uma fase assim da Tuna. Tenho uma percepção de que a gestão atual não está mesmo se importando com os esportes do clube. Parece-me que os atuais diretores estão querendo ver a Tuna mesmo como um tipo de Pará Clube, um clube com festas, com promoções como rainha disso ou daquilo, lazer e só. Não tenho tido conhecimento há muitos meses de qualquer conquista esportiva importante da Tuna em algum esporte. Percebo a Tuna apagada esportivamente. E grande parte da comunidade lusa me dá a impressão de ter desistido da Tuna como clube da comunidade luso-brasileira. Lamentável! E digo isto como luso-descendente. O que será da Tuna como clube esportivo se isto permanecer por mais alguns anos? Creio que a continuar assim haverá a extinção do verdadeiro espírito esportivo da Tuna, que ficará só como um clube de lazer, fazendo as agora habituais peladas para sócios (espantosamente elogiadas por alguns que se dizem tunantes). Espero que haja alguma movimentação para tirar a Tuna deste marasmo esportivo. Desejo que haja alguma ação positiva da gestão atual pelo menos para conseguir montar este ano um time competitivo para a disputa da segunda divisão do futebol paraense e ser capaz a Tuna de voltar a fazer parte da primeira divisão. Se for feito do jeito que se fez em anos anteriores, achando que colocar só jogadores do sub-20 e contratando um técnico que cobre um salário baixo para economizar, na velha filosofia do "bom e barato", acredito que será muito difícil para a Tuna ser bem sucedida. Bons jogadores do sub-20 poderão ser aproveitados, porém é necessário contratar alguns mais experientes. E escolher um técnico mais adequado para o momento para que a Tuna seja vitoriosa. De novo só economizando sem querer gastar mais um pouco (ao menos o necessário) não vejo muitas chances para a Tuna. Tem que ter uma certa dose de investimento! Márcio

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  7. Eu tenho uma reflexão sobre a situação atual da Tuna. Deixando de lado um pouco a questão da gestão em vigor (que a meu ver tem suas falhas), creio que a Tuna está pagando por não ter, há algumas décadas, como 60, 70 e 80 procurado dar uma nova versão ao clube. Sei que é polêmica esta minha visão. Mas acho que a Tuna poderia ter tentado se popularizar mais, saindo da imagem de "Elite do Norte". Poderia ter tentando conseguir mais torcedores, mas apoio para os esportes. Queixam-se alguns de que foi o aumento de sócios remidos que causou a queda da Tuna como clube. Penso que a questão é mais complexa e que esta é uma visão simplificadora. Ainda que tenha alguma razão de ser esta visão, considero que há outros motivos. Lembro na ocasião que a gestão da época queria fazer obras de ampliação no clube e precisava de dinheiro. Portanto, foi uma tentativa de investimento nas dependências do clube para promover mais eventos. E se a Tuna estivesse agora com mais sócios, teria tantas condições assim para manter um grande número de esportes com sucesso? Seria o suficiente? Será que se fosse por um outro caminho, o de se popularizar, atraindo mais torcedores, o que poderia atrair mais patrocínios, não seria um negócio melhor? Quem sabe fazer da Tuna um Vasco do Pará. Sei que estou apenas especulando. E outra coisa, dizem que muitos portugueses ricos saíram da Tuna por estarem insatisfeitos com a situação do clube (seria, neste raciocínio a elite não querendo se misturar com pessoas mais pobres?). Não vejo bem por aí a razão da saída destes portugueses. Acredito que queriam um lugar mais luxuoso e amplo, o que o Grêmio pôde lhes oferecer, num lugar mais afastado e com grande área de terreno. Mas por que ir para o Grêmio e deixar a Tuna de lado como clube esportivo? Ora, a Tuna e não o Grêmio era o clube com tradição esportiva. Sendo assim, a comunidade luso-brasileira deveria estar ainda dando apoio nas atividades esportivas da Tuna, que é o clube de tradição esportiva fundado por portugueses. Mas o que se vê é o desligamento da maioria da comunidade luso-brasileira, sendo que hoje em dia em Belém do Pará vários portugueses e luso-descendentes diretos não ligam para os esportes da Tuna, inclusive boa parte deles torcendo por Remo e Paysandu há muitos anos.
    Ao meu ver, é preciso uma reorganização dos esportes na Tuna e a busca de parceiros, de patrocinadores, não deixando de procurar aumentar o quadro de sócios. Tem que se procurar alternativas para fortalecer os esportes, talvez também procurando tornar a Tuna mais popular em relação aos esportes, aumentando a sua torcida. Do jeito que está, a perdurar a situação fraca da Tuna nos esportes teremos cada vez menos torcedores, ficando a torcida cada vez menor devido à morte de torcedores, pelo provável abandono de alguns que resolveram torcer por outras agremiações e pela pouca renovação da torcida. Por outro lado não vemos a Tuna deslanchar como um poderoso clube social no estilo de uma Assembleia Paraense ou um Grêmio, estando a Tuna mais próxima de um tipo de clube como o Pará Clube, tendo atualmente uma clientela em sua maior parte oriunda da classe média média ou média baixa (não estou me colocando contra tais pessoas, pois eu mesmo sou da média média), o que de jeito algum pode a classificar como "clube de elite", o que a meu ver não combina mais com a Tuna e que a Tuna precisa ver como coisa do passado.
    É a minha reflexão!
    Márcio Rodrigues-torcedor, sócio-remido e luso-descendente.

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  8. Enfim nossa seleção masculina de futebol despertou e nos dá uma esperança de ouro. Infelizmente a feminina que era a que de início parecia ir com mais segurança em direção à medalha de ouro acabou não conseguindo passar pela Suécia, apesar de ter lutado. Mas há uma esperança de bronze.
    Por aqui a Tuna montando sua equipe. Tem feito amistosos, o último com o Paysandu. Apesar da derrota, quem viu parece que gostou da movimentação do time tunante. Espero que, assim como a seleção brasileira masculina de futebol consiga o ouro e a feminina o bronze, também a Tuna consiga a classificação para a primeira divisão do campeonato paraense. E será melhor ainda se conquistar o título da segunda divisão. Depois o caminho tem que ser o de ter um time forte para a disputa da primeira divisão. Vamos lá jogadores e jogadoras das nossas seleções! Vamos lá Tuna Luso Brasileira!
    Márcio Rodrigues

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  9. Sonhei nessa última noite com a Tuna disputando uma regata, mas não me lembro quem ganhou. No meu sonho também havia uma promoção para angariar fundos para os remadores tunantes. Lembranças de um tempo que devem ter ficado na minha memória.
    Márcio

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