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domingo, 23 de fevereiro de 2014

Darinta, ex-zagueiro de Sport e Palmeiras, relembra carreira

Ex-jogador foi uma das maiores transações do norte e nordeste na década de 70. Ele foi revelado pelo São Francisco e fez sucesso em clubes paraenses da capital Belém
 
Por (Santarém, PA)
 
Um zagueiro de apelido esquisito que saiu de Santarém, oeste do Pará, e fez seu nome em grandes clubes do futebol brasileiro. Odvaldo Francisco Silva Picanço, mais conhecido como Darinta, construiu uma bela carreira e defendeu equipes de peso como Sport e Palmeiras, além de ter feito muito sucesso nos times da capital paraense, como Tuna Luso, Remo e Paysandu.
Em entrevista ao GloboEsporte.com, o ex-atleta relembrou alguns momentos importantes dos tempos de jogador. Ele guarda com carinho suas passagens pelos principais clubes do Estado e também a oportunidade de ter vestido as camisas do Leão da Ilha e do Verdão.

Sucesso nas grandes equipes do Pará
Darinta, São Francisco 1968 (Foto: Arquivo pessoal/Darinta)Darinta (o primeiro da esquerda, em pé) foi revelado pelo São Francisco (Foto: Arquivo pessoal/Darinta)
 
Natural de Santarém, oeste do Pará, Darinta começou sua carreira no futebol em um time local chamado Náutico. O zagueiro logo se destacou e foi jogar pelo São Francisco em 1968, quando tinha apenas 14 anos de idade.
Em 72, foi contratado pela Tuna Luso, clube pelo qual jogou durante sete anos, primeiro atuando como lateral-direito e, posteriormente como zagueiro. Neste período, o atleta era emprestado para Remo e Paysandu e disputava as principais competições nacionais pelos dois maiores times do Pará.
Apesar de nunca ter conquistado títulos por clubes do Pará, mesmo tendo atuado durante vários anos no futebol paraense, o ex-jogador conta que a dupla RE-PA disputava seu passe junto a Tuna todos os anos e que era querido pelas diretorias e torcidas dos clubes paraenses.
- Só para o Remo, eu fui emprestado por três vezes. No Paysandu, fiquei um ano e seis meses. As diretorias traziam vários reforços de fora para a disputa do Campeonato Brasileiro, mas também procuravam atletas locais para fazer parte das equipes.  Eu ia para o que fizesse a melhor proposta.
Além de São Francisco, Tuna, Remo e Paysandu, Darinta também jogou por outros times do Pará - como Independente, Santa Rosa e Vila Nova – e encerrou sua carreira no Castanhal em 1991. 

A chegada ao Sport e o desafio de marcar Dinamite na estreia
 
Um jogador paraense sendo reverenciado em sua chegada a um grande clube como o Sport. O ex-zagueiro Darinta não acreditou na recepção da diretoria e da torcida pernambucana quando foi contratado em 79 para defender o Leão da Ilha.
O atleta foi comprado por Cr$ 1,2 milhão (cruzeiros) da Tuna Luso Brasileira no que foi considerada a maior transação de um jogador do norte e nordeste naquela época. Darinta guarda com carinho até hoje as lembranças da chegada ao aeroporto de Recife e do carinho dos torcedores rubro-negros.
- Cheguei ao som da banda Bafo do Leão, a torcida toda no aeroporto. Me colocaram em um carro de bombeiro para dar voltas na cidade. Parecia um rei lá em cima, com direito a charanga, hino do Sport e muito frevo. A felicidade foi total.

Darinta, Sport-PE 1979 (Foto: Arquivo pessoal/Darinta) 
Darinta (o terceiro da direita para esquerda, de pé) foi titular durante 1 
ano e meio no Sport (Foto: Arquivo pessoal/Darinta)

Para completar a festa pela chegada do jogador, a diretoria do Sport levou o Vasco da Gama à Ilha do Retiro para a partida que marcaria a estreia de Darinta pelo Leão. O zagueiro teve a difícil missão de marcar o atacante Roberto Dinamite em grande fase e provar à torcida pernambucana que valia todo o investimento feito pelo clube.
- Todo mundo queria ver o Darinta. Pelo valor da contratação queriam ver se eu era tudo isso. O Vasco tinha o goleiro Mazaropi, o Dinamite e outros grandes nomes. O Estádio estava lotado, as atenções todas voltadas para mim. Ganhamos o jogo que marcou a minha estreia. Uma vitória como esta não tem coisa melhor.
Darinta ficou um ano e meio jogando como titular pelo Sport, mas não conquistou títulos. Em 1979 perdeu a final do Estadual para o Santa Cruz. Ele deixou Pernambuco para voltar a Belém e defender o Clube do Remo em 1980. 

O Palmeiras e a "injustiça" com a equipe de 81
Darinta, Palmeiras 1981 (Foto: Arquivo pessoal/Darinta)Darinta (segundo de pé, da direita para esquerda) e o Palmeiras de 1981, campeão da Taça de Prata (Foto: Arquivo pessoal/Darinta)
 
Em 1981, Darinta foi levado do Clube do Remo para o Palmeiras por um empresário que negociou o atleta à equipe paulista. O Verdão passava por uma fase de reformulação em seu elenco e disputou a Taça de Prata daquele ano, que era uma espécie de divisão de acesso do futebol brasileiro.
O Palmeiras foi campeão daquela competição vencendo o Guarani de Campinas por 2 a 0 na grande final. Mesmo com o título, aquela equipe não encantou e nem deixou grandes lembranças para a maioria da torcida alviverde.
Uma goleada sofrida para o Internacional pelo placar de 6 a 0 marcou aquele time e a passagem de Darinta pelo Palmeiras. Titular da defesa do Verdão, o zagueiro paraense não esteve em campo nessa partida por causa de uma lesão em um dos tornozelos. Mesmo assim, o jogador acredita que há certa injustiça quando se fala do time de 81.
- Eu tenho plena convicção que o time do Palmeiras era bom. Críticas existem em qualquer lugar, mas como uma equipe poderia ser ruim ganhando a Taça de Prata? Nós derrotamos o Guarani de Campinas, que tinha Lúcio, Jorge Mendonça, Careca e Ângelo no ataque, por 2 a 0 no Pacaembu, com tranquilidade. Isso um time ruim não faria – afirma Darinta.

Darinta, Santarém (Foto: Gustavo Campos/GloboEsporte.com)Darinta, Santarém (Foto: Gustavo Campos/GloboEsporte.com)
 
O zagueiro ficou no Verdão até o ano de 1983 e depois retornou ao Remo. De acordo com ele, o Palmeiras não comprou seu passe junto ao clube paraense por um desentendimento que aconteceu envolvendo o santareno e um dos diretores alviverdes após uma partida do Campeonato Paulista.
Darinta também teve destaque jogando pelo Rio Negro-AM na década de 80, quando foi campeão amazonense em 1982 numa equipe que contava com jogadores como o meia Berg, que fez sucesso no Botafogo, e o goleiro Tobias, que foi campeão paulista pelo Corinthians em 1977 e ajudou o Timão a quebrar um jejum de 23 anos sem títulos. Com 60 anos, o ex-jogador atualmente está aposentado e mora em Santarém com sua família.

Odilson (D) e Darinta (E). Dois craques irmãos e bons de bola. O terceiro irmão bom de bola era o jogador Tela, que também jogou pela Tuna Luso. (Foto arquivo pessoal de Odilson)
 
Fonte da matéria: globoesporte.com

3 comentários:

  1. Muito bom jogador. Ele era baixo pra zagueiro, mas tinha uma impulsão fantástica que ganhava de muitos atacantes altos.

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  2. Falei com ele ano passado (2013), lá em Santarém. Estava na companhia do Tela, um de seus irmãos que também jogou na Tuna, além de Odilson. Conversamos rapidamente mas foi o Tela quem demonstrou maior carinho pela Tuna.

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  3. Alguém sabe a escalaçao dessa foto do sport acima?

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