sábado, 13 de fevereiro de 2010

Lusa amarga jejum de 20 anos


cruzmaltinos não conquistam o campeonato paraense desde 1988
Ferreira da Costa

É profundamente lamentável para toda a torcida paraense o fato de a Tuna Luso Brasileira, a Elite do Norte, ficar de fora do banquete do Campeonato Paraense de Futebol pela terceira vez. Afinal, quem é Remo ou Paysandu não esconde sua simpatia pelo grêmio de origem lusitana. E a participação da Tuna no certame estadual sempre foi tradição e serviu para dar equilíbrio à disputa. Quantas vezes a Lusa roubou a cena, jogando para escanteio a dupla Re-Pa? Várias. São dez títulos do certame estadual e dois campeonatos brasileiros, que enriquecem o patrimônio do futebol luso.
A queda da Tuna no futebol se acentuou a partir do início do século 21. No entanto, o declínio começou muito antes. Segundo consta nos bastidores, os problemas começaram quando aqui aportaram vendedores de títulos de sócio proprietário e de sócio remido vindos de outras regiões. Iludiram os dirigentes lusos. A Tuna, clube de elite, que possuía como seus associados a nata da colônia lusa e também muitos brasileiros de 'classe A', foi aberta às outras classes sociais. Pessoas humildes passaram a ter título de sócios proprietários da Tuna. Foi uma 'enchente'. Com isso, os associados tradicionais se afastaram, procurando outras agremiações, como Pará Clube, Assembleia Paraense e Grêmio Literário Português.
A crise, a partir daí, se acentuou, pois a Tuna não pôde mais contar nem com os antigos associados, os da classe A, bem como das demais categorias sociais, B, C e D, que deixaram de pagar seus títulos e mensalidades, taxas de manutenção, etc.
Sem numerário para bancar o futebol com a contratação de grandes valores de outras praças, a Tuna começou a amargar o fantasma do rebaixamento de divisão nos campeonatos nacional e estadual. Até 2005, ainda conseguiu se manter de pé, formando seu time com base nas escolinhas. Mas a partir daí surgiram novas forças, vindas do interior do Estado, que acabaram entrando no banquete e desbancando a Lusa. Nesse caso, Cametá, Águia, São Raimundo, Castanhal e Ananindeua, que deram nova vida à disputa, revitalizando o Estadual.
Em 2006, a Tuna ficou de fora do Campeonato Paraense. Em 2007, recuperou-se e chegou até a ameaçar o Remo, disputando a final, mas ficou com o vice-campeonato, tendo feito 22 jogos, com 6 vitórias, 11 empates, 5 derrotas, 21 gols pró, 25 gols contra, déficit de 4 bolas. Em 2008, uma vergonha: a Tuna, entre dez equipes, acabou na vice-lanterna, só ficando à frente do Pedreira. Jogou 18 partidas, venceu 4, somou 10 derrotas, 4 empates, marcou 19 gols e sofreu 36, com saldo negativo de 17. Em 2009, foi disputar a Segundinha e não alcançou classificação. Em 2010, a dose se repetiu.
Uma pena a Tuna de fora do campeonato. Só temos que torcer a fim de que os verdadeiros tunantes se unam e tragam de volta a Elite do Norte no próximo Estadual.

Os times campeões
Títulos estaduais
1937 - Licínio, Setenta e Cinco; Aldomário, Pelado e Setenta e Sete; Lulu, Conegas, Jango, Pitota e Patesko.
1938 - Bubu, Setenta e Cinco; Aldomário, Pio e Macedo; Lulu, Conegas, Pinhegas, Pitota e Matos.
1941 - Simeão, Bereco e Cinco; Chiquinho, Pio e Setenta; Monard, Lulu, Conegas, Pitota e Poeira.
1948 - Dodó, Sabá e Conde; Totinha, Nonato e Biroba; Juvenil, China, Palito, Teixeirinha e Daniel.
1951 - Dodó, Bereco e Sabá; Abimael, Bendelack e Biroba; Juvenil, Teixeirinha, Paulo Oneti, China e Daniel.
1955 - Sarará, Mário Nei e Nonato; Maneco, Sátiro e Muniz; Juvenil, China, Estanislau, Teixeirinha e Daniel.
1958 - Sarará, Peruzinho e Nonato; Ivan, Sátiro e Muniz; Edílson, Chininha, Estanislau, China e Juvenil.
1970 - Omar, Marinho, Abel, Carvalho e Acari; Antenor e Waltinho; Fefeu, Mesquita, Leônidas e Gonzaga.
1983 - Mário Fernando, Quaresma, Bira, Ronaldo e Mário Vigia; Samuel, Queiroz e Jorginho; Tiago (Dorval), Miltão (Mariolino) e Luís Carlos.
1988 - Nunes, Jair, Belterra, Paulão e Jango; Maracanã (Sanauto), Dema e Vicente; Tiago, Cabinho e Gil Mineiro (Ageu).

Títulos Nacionais
1985 - Taça de Prata (2ª Divisão do Brasileiro) - Ocimar, Quaresma, Paulo Guilherme, Ronaldo e Mário Vigia; Ondino, Queiroz e Edgar; Tiago (Puma), Paulo César e Luís Carlos.
1992 - 3ª Divisão do Brasileiro - Altemir, Mário Vigia, Juninho, Luiz Otávio e Joãozinho; Varela, Ondino, Jaime e Sanauto; Ageu (Manelão) e Tarcísio (Guilherme).

fonte: Amazônia Jornal - Edição de 14/02/2010

Um comentário:

  1. Creio que os problemas da Tuna não se originaram somente ao que o jornalista aponta. Eu adquiri um título de sócio remido para poder ajudar a Tuna e poder também ser um sócio da Tuna. Talvez tenha havido uma oferta excessiva de títulos. Pessoas que não tinham simpatia pelo clube e que depois como sócios proprietários não pagaram as mensalidades ou que não zelaram pelo clube.
    Mas será que a Tuna tinha que ficar dependendo só destes fatores citados para ter condições de disputar em igualdade com Remo e Paysandu? Não faltou algo mais? Um projeto mais consistente? Uma união maior entre os grandes do clube? Afinal, quem tinha uma história de amor pelo clube deveria continuar apoiando-o mesmo que não gostasse de vê-lo aberto a outras classes sociais. É o que eu penso. Então, se formos ver desta maneira, prevaleceu por parte de algumas pessoas o puro egoísmo, se não estou gostando de frequentar o clube ele que se lixe. E o que o clube representa? Um clube que nasceu na colônia luso-paraense e que conquistou títulos nacionais, que muitas vezes valorizou a prata da casa, deu oportunidade para atletas que se revelaram como talentos e foram para outros clubes do país. Será que não houve uma certa acomodação? Será que não aconteceram certos erros que prejudicaram o clube?
    Se formos ver, Remo e Payssandu na mesma época também saíram vendendo títulos "a torto e a direito". O Remo vendeu muitos títulos da sua sede campestre e agora nem existe a sede campestre. Será que estes sócios não foram assim enganados? Não teriam direito a um ressarcimento? E as dívidas de Remo e Paysandu? Não foram erros enormes? Se não fosse a influência política não teriam Remo e Paysandu já perdido grande parte de seu patrimônio? Se a Tuna se encontrasse em situação parecida não teriam liquidado com ela? Os juízes seriam complacentes? Acho que a questão envolve vários fatores. Muitos antigos grandes beneméritos morreram. Penso que estes jamais abandonariam a Tuna em momentos de dificuldades. A Tuna pode ter nascido na elite, mas teve também uma ligação popular no esporte com a formação e/ou participação de atletas de origem bem humilde em alguns esportes, muitos vindos de diversas cidades paraenses. Só que não conseguiu atrair uma torcida maior. Ficou à sombra de Remo e Paysandu em termos de torcidas gigantescas. Creio que pode ser justamente por não ter conseguido no passado atrair mais torcedores que hoje se ressinta de uma base de apoio. Se ela se fechasse para sempre como uma clube elitizado e fechado às classes menos favorecidas teria agora como competir? Por acaso há algum clube elitizado de Belém que se aventure em vários esportes (não em um ou dois) e principalmente o futebol profissional? O América, uma outrora grande força do Rio no futebol hoje em dia vive uma crise. Não tem mais projeção no futebol e está arriscado de perder sua sede. O que houve com ele?
    Temos que pensar em soluções. Decerto podem ter havido erros. Mas é preciso achar uma saída. Ou nos resignarmos a ver a Tuna sair das disputas do futebol e talvez de outros esportes. Um abraço. Márcio

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