sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Três ideais. Três filosofias. Uma cidade

por: Matheus Laboissière

Matheus Laboissière é estudante de jornalismo do Centro Universitário de Belo Horizonte (UNI-BH) e cursa atualmente o 6º período. Torcedor fanático do Coelho, interessa-se também por Política, Economia, além de Esporte, é claro.
Publicada em 13/11/2008

Caro leitor Futnet, mais uma matéria sobre rivalidades. A 1ª foi entre Anapolina e Anápolis, que podem acompanhar no banco de dados de minhas colunas. Acompanhe agora mais essa!

A capital do Pará, Belém, convive com rivalidade ferrenha. Os três times, Paysandu, Remo e Tuna Luso, todos tradicionais, vivem maus momentos. Mas isso não faz com que a rivalidade diminua, pelo contrário, ela sempre se faz presente em qualquer ocasião.

Breve histórico
O Paysandu foi fundado no dia 2 de fevereiro de 1914, por dissidentes do então Nort Club. O Paysandu foi criado para vencer o rival do Nort, o Remo. O nome tem origem num episódio histórico, ocorrido em 2 de janeiro de 1865. “A Tomada de Paysandu”, fato que se passou na cidade uruguaia de Paysandu, envolveu lutas sangrentas entre partidos políticos celestes. As cores escolhidas foram a camisa azul e branco em listras verticais.

Maior rival do Papão da Curuzu, o Clube do Remo nasceu em cinco de fevereiro de 1905 (103 anos, portanto), mas o seu esporte principal não foi o futebol. Oriundo do clube de remo Sport Club do Pará, algumas pessoas que discordavam da administração do Sport Club decidiram fundar um novo: o Grupo do Remo. O futebol só passou a fazer parte da equipe em 1913.

O clube mais antigo de Belém é a Tuna Luso Brasileira, fundada em 1º de janeiro de 1903. O clube foi fundado pelos portugueses, na época os chamados caixeiros, comerciantes, para perpetuar as músicas do país natal. O nome significa conjunto musical (Tuna) e português (Luso).

Rivalidade
Atualmente, os torcedores dos três times comprovam a forte rivalidade presente na capital paraense e como Belém é impactada pela paixão dos torcedores. O torcedor do Papão, George Ricarte, afirma que “os jogos de domingo basicamente definem como vai ser a minha segunda-feira. Meu humor é bastante influenciado pelo resultado dos jogos do Paysandu e até mesmo do Remo”, diz. O estudante chega a ignorar os amigos quando o Clube do Remo vence o clássico, pois “com certeza só ligaram para zombar da derrota”. Por outro lado, quando a equipe bicolor ganha, “a cidade se veste de azul e branco e tudo fica lindo (risos)”. Com relação a relacionamentos, Ricarte diz que “namorar uma torcedora da Tuna [Luso] é meio difícil, porque eu nem conheço nenhuma “Tunante”, acho que até nem existe (risos)”. No entanto, o estudante afirma que a esmagadora maioria das mulheres com as quais se relaciona são remistas e que não vê muito problema quanto a isso, mas com uma ressalva: “Desde que ela não queira que eu vá assistir ao joga do Remo junto com ela”, adverte.

Como todo torcedor, Ricarte já passou por situações, digamos, improváveis: “O Paysandu estava disputando uma vaga para a fase final da Série C [de 2008]. Dependia de uma vitória na última partida. Jogaria contra o Rio Branco-AC, o primeiro colocado do grupo. Eu, como torcedor fanático do meu clube, nunca perdi as esperanças. Eis que uma "amiga" me fala: - Esse teu time não vai se classificar nem que a vaca tussa. Eu, já não muito satisfeito com a situação, fiquei invocado e disse: - Tu está ficando é doida, Paysandu vai golear o Rio Branco! E ela replica: - Eu aposto o que você quiser que ele não se classifica. e então eu disse: - Ok, eu aposto o que você quiser também. E então vem ela com a proposta: - se o Paysandu perder você vai ter que passar uma noite comigo. Eu, meio perplexo e me acabando de rir, aceitei a aposta sem nem pedir nada [em troca], caso eu vencesse a aposta. Resultado: Rio Branco 2 x 1 Paysandu”, lembra.

A também torcedora do Papão, Eveline Rodrigues, passou por algumas situações engraçadas: “A melhor foi quando expulsei um “secador da Curuzu [estádio do Paysandu]. O torcedor do Clube do Remo estava infiltrado em nossa torcida e pensava que, por eu ser mulher (e ainda existem estes preconceitos), não saberia distinguir a pedra falsa da verdadeira. Então, me aproximei deste elemento e aí comecei a indagá-lo, com perguntas sobre nossos títulos. Ele saiu de rasteirinha e pediu para que não alarmasse o acontecido. Nunca mais o vi por lá”, se vangloria. Ela se define como uma torcedora chata. “Não ouse falar algo pífio de meu time, por que aí o bicho pega”, avisa. Eveline já organizou um churrasco para comemorar a queda do Remo para a Série D. “Me divirto com o Remo”, afirma.

Pelo lado do Leão (Clube do Remo), o estudante Lucas Sampaio afirma que, ao acordar, a “encarnação” já começa. “Ao entra no elevador, sempre tem um brincalhão que diz: - Fala 4ª divisão. Os porteiros do condomínio dão aquele riso irônico, deixando um ar sarcástico” Segundo ele, o povo respira futebol e o dia inteiro é Remo x Paysandu. Perguntado se compraria de uma empresa cujo dono é do rival, Sampaio diz que “não dou dinheiro para torcedor do Paysandu”.

O estudante Henrique Amador pode ser considerado um torcedor inusitado: “O clube do meu coração é o Paysandu, mas acabei virando torcedor da Tuna Luso mesmo”. Ele afirma já ter fingido que torcia pelo Remo para namorar uma torcedora do Papão. “Vestia a camisa e ia para o estádio para convencer o pai dela”, recorda. “Sou um excelente ator”, ri. Em dias de jogos entre Remo e Paysandu, principalmente, quase tudo muda na cidade. “Todo mundo só fala no jogo, é impressionante”. Não só Belém tem rivalidades históricas entre os times da cidade. Por todo o Brasil, há torcedores apaixonados que não relutam em “atazanar” a vida dos torcedores rivais. O futebol é intrínseco à vida do brasileiro. Os belenenses que o digam.

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